domingo, 7 de janeiro de 2018

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Mil anos de espera: estória
Incomparável morada é o abraço teu
Longe do mundo terreno, dentro dele,
Acordo para mim, para nós.
Nosso mundo paralelo, tão certo,
Onírico, real...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobre o silêncio, em uma noite que chora

Porque é o silêncio que compõe os seres. O som do nascimento é o choro. O da morte é pausa. A pausa da vida, da dor, do amor e dos sons (e a própria vida é uma constante morte). É no silêncio que o homem se encontra, se perde, se desespera e se aconchega. É no silêncio que se é. No ser a dois, melhor do que se perder em paixões e apegos, prefiro o silêncio Ser. Ser o silêncio da não-identificação com o que nasceu para machucar (os sofrimentos). Desidentifico-me da dor. Não me torno indiferente à ela, só não a sou. Eu silencio. Quer mais pura relação do que esta: a relação onde me permito Ser? Mas, pergunto-me, como o silêncio é suportado (nos sentidos de ser dado suporte e de tolerar) por outrem? E como você, escasso leitor, suporta os silêncios que te permeiam?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Melancolia

Conformismo que acompanha a solidão. O único alimento: o sal do pranto. O alimento, que da terra vem, não nutre nem desce. Em algum tempo, o corpo: alimento da terra.

Doce como Mel

Jogo teu sofrimento na parede, decidida a congelar meu corpo. Sofro porque tu sofres e eu contribuo com isso. Peço-te perdão com todo o coração e tu me tratas com desdém. Perco a fé na humanidade. Peço perdão pela culpa que gerei e não tive. E me liberto da ilusão doce, que eu acreditava ser um Sonho, mas que me corrompia. E me liberto do peso que me fazia sofrer. Me liberto do teu fantasma. E dos que me sugavam.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Temperos, desejos e segredos

Lá do alto, tocou seu instrumento e cantou para que o outro escutasse seu pranto. Mas, obviamente, sua voz sussurrada não atingiria nem um raio de dez metros. O ar condensou ao sair dos pulmões. Misturaram-se com as nuvens do céu de inverno, com o cigarro e cobriram a lua, um pouco mais. No céu, além de nuvens e lua, haviam as estrelas. Dançaram todas, sincronizadas no ar. Como um sopro sobre uma mesa, contendo punhados ordenados de açúcares, canela em pó e pimentas rosas. Movimento. Vôo. Dança de estrelas. Planetas e pimentas.

Por querer em demasia

De tudo o que me destrói, a falta das palavras é a mais dilacerante. Não me permito escrever sobre você e te sentir nas pontas dos meus dedos. Não me permito esse desânimo. Intolerante. Que se vá tudo (com esse clichê), para nao voltar. O peso, a humilhação. Doações afetivas não se imploram, ao se entregar. Ignore meus carinhos e eu te supero, até o tempo findar.

Desejo

Só quero meu silêncio e minha poesia de volta. Minha misantropia diária. Meus vícios.